Gabriel Medina é bi no Tahiti Pro Teahupoo

 

 

 

By João Carvalho

O campeão mundial Gabriel Medina conquistou o bicampeonato no Tahiti Pro Teahupoo na sexta vitória consecutiva do Brasil nas sete etapas do World Surf League Championship Tour 2018, completadas neste domingo na Polinésia Francesa. O retrospecto de Medina na bancada mais perigosa do Circuito Mundial é impressionante. A final contra o australiano Owen Wright, que impediu uma decisão brasileira barrando Filipe Toledo nas semifinais, foi a quarta que ele disputou nos últimos 5 anos, desde a vitória sobre Kelly Slater no mar épico de 2014. Com o segundo título num tubo surfado no último minuto, Medina entrou na corrida do título mundial e é o único que brigará pela lycra amarela do Jeep Leaderboard com Filipe Toledo na próxima etapa, o Surf Ranch Pro em setembro na piscina de ondas criada por Slater.

(Foto: @WSL / Poullenot)

“Estou muito feliz em ganhar aqui novamente e só tenho que agradecer a Deus por aquela onda no final da bateria”, disse Gabriel Medina. “Eu treinei muito para conseguir outra vitória aqui nesse lugar fantástico. Eu amo o Taiti, já tive ótimas finais aqui, ganhei uma, fiquei em segundo duas vezes, agora consegui outra vitória e é incrível isso. Agora, eu posso começar a pensar em ganhar o título mundial de novo. Eu acho que tudo é possível, pois ainda temos quatro eventos e eu só quero continuar dando o meu melhor nas baterias”.

O domingo decisivo do Tahiti Pro Teahupoo foi mais um dia de ondas pequenas, 3 a 5 pés, para um lugar famoso pelos tubos enormes e desafiadores quebrando sob uma rasa e afiada bancada de corais. Com isso, a escolha das ondas ganhou importância na definição das baterias e foi assim que Owen Wright bateu Filipe Toledo nas semifinais. Ele achou os tubos para derrotar o número 1 do Jeep Leaderboard por 12,60 a 10,03 pontos.

Na disputa seguinte, Medina vingou a derrota sofrida na final de 2015 em Teahupoo para Jeremy Flores. O francês perdeu muito tempo esperando pelos tubos, enquanto o brasileiro ia pegando as ondas que ele deixava passar para arriscar os aéreos. Primeiro, acertou um aéreo-reverse numa onda completada por mais duas manobras. Depois, mandou um alley-oop para ganhar outra nota na casa dos 7 pontos e vencer fácil a bateria por 15,17 a 6,10 pontos.

Gabriel Medina (Foto: @WSL / Poullenot)

MELHORES DO DIA – Antes, o bicampeão nos tubos de Teahupoo ganhou o confronto entre os números 3 e 4 do ranking, com o potiguar Italo Ferreira pelas quartas de final. Ambos tinham chances de tirar a vice-liderança do australiano Julian Wilson se chegassem na final, mas foi uma disputa muito fraca de ondas. No início do dia, foi assim, uma bateria era ruim e a seguinte dava altos tubos, com as ruins sendo as que os brasileiros competiram. Filipe Toledo só surfou duas ondas na primeira do dia para bater o sul-africano Michael February por 11,43 a 8,60 e o duelo brasileiro terminou em 13,10 a 7,57.

Já nas outras baterias das quartas de final foram surfados os melhores tubos do último dia. No confronto australiano com Wade Carmichael, Owen Wright completou o mais profundo que valeu 9,17 para totalizar exatos 16 pontos. E o francês Jeremy Flores ganhou a última vaga para as semifinais do americano Kolohe Andino num tubaço nota 8,17. Os derrotados nas quartas de final terminaram em quinto lugar somando 4.745 pontos.

Gabriel Medina (Foto: @WSL / Poullenot)

DECISÃO DO TÍTULO – Na grande final, as ondas demoraram a entrar, mas Owen Wright já começou passando por dentro de um canudo para largar na frente com nota 6,50. A primeira do brasileiro foi com manobras e valeu 6,17. Depois, quase não veio mais nada de onda boa e Owen Wright ficou no outside com a prioridade de escolha da próxima, enquanto Medina ia arriscando os aéreos nas que ele deixava passar. No entanto, o máximo que conseguiu foi 3,93 e o australiano se mantinha na frente com o 4,20 da sua segunda nota computada.

O tempo foi passando e só nos últimos minutos entrou uma série que decidiu tudo. A prioridade era do australiano e ele pegou a onda da frente, que rendeu um layback animal e mais uma manobra forte tirando as quilhas da onda. Medina pegou a seguinte e ela rodou um tubaço incrível para o brasileiro. Logo a bateria terminou e ficou a expectativa pelas notas dos juízes. A do Owen Wright saiu 5,57 para aumentar a vantagem, mas a do brasileiro valeu 7,33 que confirmou o bicampeonato nos tubos de Teahupoo por 13,50 a 12,07 pontos.

Gabriel Medina (Foto: @WSL / Kelly Cestari)

“Eu estava rezando lá dentro para Deus mandar mais uma onda pra mim, só mais uma”, contou Gabriel Medina. “Estou muito feliz agora e sei que o Owen (Wright) deve estar com o mesmo sentimento que fiquei no ano passado (quando Medina perdeu a decisão para Julian Wilson), que foi horrível para mim, mas é por isso que amamos competir. Eu me sinto abençoado por ter estado no lugar certo na hora certa durante as baterias e agora quero aproveitar esse momento, antes de focar na próxima etapa lá no Surf Ranch”.

O australiano Owen Wright lamentou perder o título no final da bateria, mas elogiou o seu companheiro na Equipe Rip Curl: “Dói bastante uma derrota assim, mas é bom também estar de volta ao pódio. Tudo aconteceu nas duas últimas ondas. Eu tomei a decisão errada de pegar a onda da frente e é isso que dói mais. Mesmo assim, fico feliz pelo Gabe (Gabriel Medina), foi uma vitória merecida para ele depois que o Julian (Wilson) lhe tirou o título no ano passado. Parabéns Gabe”.

Owen Wright (Foto: @WSL / Poullenot)

JEEP LEADERBOARD – Com os 7.800 pontos do segundo lugar no Tahiti Pro Teahupoo, Owen Wright subiu da 11.a para a sexta posição no Jeep Leaderboard dominado pelos brasileiros. Filipe Toledo vai competir de novo com a lycra amarela de número 1 do mundo no Surf Ranch Pro, de 5 a 9 de setembro na piscina de ondas criada por Kelly Slater em Lemoore, no interior da Califórnia. O campeão Gabriel Medina agora é o segundo colocado no ranking, 6.300 pontos abaixo do líder, sendo o único com chances na briga pelo primeiro lugar na próxima etapa. No entanto, já precisa ser vice-campeão no mínimo para superar a pontuação atual do Filipe.

“Eu estou orgulhoso de mim mesmo por todo o trabalho duro que fiz aqui, pois o resultado na semifinal foi o meu melhor aqui em todos os anos”, disse Filipe Toledo. “Estou no Tour há seis anos e nesse as coisas estão acontecendo e dando certo para mim. Estou apenas tentando capitalizar tudo isso e continuar com o trabalho que venho fazendo. É importante manter o foco no meu surfe, nos treinamentos, sem me preocupar com o mundo exterior”.

Filipe Toledo (Foto: @WSL / Poullenot)

Campeão no Taiti no ano passado, o australiano Julian Wilson não passou nenhuma bateria dessa vez e caiu de segundo para terceiro no ranking. O potiguar Italo Ferreira perdeu o duelo brasileiro das quartas de final para Medina e permanece em quarto, com os australianos Wade Carmichael e Owen Wright na quinta e sexta posições, respectivamente. Agora restam apenas quatro etapas para definir o campeão mundial da temporada e Medina vai defender o título em duas delas, no Quiksilver Pro France em Hossegor e no MEO Rip Curl Pro em Portugal.

DOMINIO BRASILEIRO – A vitória de Gabriel Medina comprovou mais uma vez o domínio brasileiro no World Surf League Championship Tour esse ano. A temporada já começou com uma maioria inédita de onze brasileiros entre os top-34, superando pela primeira vez na história a quantidade de australianos na elite. E agora, são seis vitórias consecutivas do Brasil nas sete etapas do CT 2018 completadas neste domingo no Taiti, cinco delas em finais contra surfistas da Austrália. Isso é fantástico!

Italo Ferreira (Foto: @WSL / Poullenot)

A única exceção foi na primeira do ano, na Gold Coast, com Julian Wilson vencendo uma final australiana com Adrian Buchan. Depois só deu Brasil, com Italo Ferreira badalando o sino do troféu de campeão do Rip Curl Pro Bells Beach também na Austrália, Filipe Toledo conquistando seu segundo título no Oi Rio Pro em Saquarema, Italo de novo ganhando a etapa de Keramas em Bali, Willian Cardoso comemorando sua primeira vitória em Uluwatu também na Indonésia e Filipe Toledo sendo bicampeão no Corona J-Bay Open na África do Sul, antes de Medina também conseguir seu segundo título nos tubos de Teahupoo.

RETA FINAL – A reta final da disputa pelo título mundial de 2018 da World Surf League vai agora para os Estados Unidos, para a primeira etapa da história do Circuito Mundial iniciada em 1976 a ser disputada numa piscina de ondas artificiais. A estreia do Surf Ranch Pro será nos dias 5 a 9 de setembro na Califórnia e depois vem a “perna europeia”, com Gabriel Medina defendendo o título de campeão nas duas etapas, o Quiksilver Pro France de 3 a 14 de outubro em Hossegor e o MEO Rip Curl Pro Portugal nos dias 16 a 27 do mesmo mês em Peniche, última parada antes do Billabong Pipe Masters, que fecha a temporada nos dias 8 a 20 de dezembro no Havaí.

Mais informações, notícias, fotos, vídeos e todos os resultados do Tahiti Pro Teahupoo podem ser acessadas na página do evento no www.worldsurfleague.com

SOBRE A WORLD SURF LEAGUE – A World Surf League (WSL) tem como objetivo celebrar o melhor surfe do mundo nas melhores ondas do mundo, através das melhores plataformas de audiência. A Liga Mundial de Surf, com sede em Santa Mônica, na Califórnia, atua em todo o globo terrestre, com escritórios regionais na Austrália, África, América do Norte, América do Sul, Havaí, Europa e Japão.

A WSL vem realizando os melhores campeonatos do mundo desde 1976, realizando mais de 180 eventos globais que definem os campeões mundiais masculino e feminino no Championship Tour, além do Big Wave Tour, Qualifying Series e das categorias Junior e Longboard, bem como o WSL Big Wave Awards. A Liga tem especial atenção para a rica herança do esporte, promovendo a progressão, inovação e desempenho nos mais altos níveis, para coroar os campeões de todas as divisões do Circuito Mundial.

Os principais campeonatos de surf do mundo são transmitidos ao vivo pelo www.worldsurfleague.com e pelo aplicativo grátis WSL app. A WSL tem uma enorme legião de fãs apaixonados pelo surf em todo o mundo, que acompanham ao vivo as apresentações de grandes estrelas, como Tyler Wright, John John Florence, Paige Alms, Kai Lenny, Taylor Jensesn, Honolua Blomfield, Mick Fanning, Stephanie Gilmore, Kelly Slater, Carissa Moore, Gabriel Medina, Courtney Conlogue, entre outros, competindo no campo de jogo mais imprevisível e dinâmico entre todos os esportes no mundo.

Para mais informações, visite o WorldSurfLeague.com.

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João Carvalho – WSL South America Media Manager – jcarvalho@worldsurfleague.com

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RESULTADOS DO ÚLTIMO DIA DO TAHITI PRO TEAHUPOO:

Campeão: Gabriel Medina (BRA) por 13,50 pontos (7,33+6,17) – US$ 100.000 e 10.000 pontos

Vice-campeão: Owen Wright (AUS) com 12,07 pontos (6,50+5,57) – US$ 55.000 e 7.800 pontos

SEMIFINAIS – 3.o lugar com 6.085 pontos e US$ 30.000:

1.a: Owen Wright (AUS) 12.60 x 10.03 Filipe Toledo (BRA)

2.a: Gabriel Medina (BRA) 15.17 x 6.10 Jeremy Flores (FRA)

QUARTAS DE FINAL – 5.o lugar com 4.745 pontos e US$ 19.000:

1.a: Filipe Toledo (BRA) 11.43 x 8.60 Michael February (AFR)

2.a: Owen Wright (AUS) 16.00 x 9.57 Wade Carmichael (AUS)

3.a: Gabriel Medina (BRA) 13.10 x 7.57 Italo Ferreira (BRA)

4.a: Jeremy Flores (FRA) 13.34 x 5.73 Kolohe Andino (EUA)

TOP-22 DO JEEP LEADERBOARD – RANKING WSL 2018 – após a 7.a etapa no Taiti:

01: Filipe Toledo (BRA) – 41.985 pontos

02: Gabriel Medina (BRA) – 35.685

02: Julian Wilson (AUS) – 32.380

04: Italo Ferreira (BRA) – 30.160

05: Wade Carmichael (AUS) – 26.550

06: Owen Wright (AUS) – 24.740

06: Jordy Smith (AFR) – 23.575

08: Michel Bourez (TAH) – 22.705

09: Willian Cardoso (BRA) – 21.825

10: Kolohe Andino (EUA) – 21.070

11: Mikey Wright (AUS) – 20.865

12: Jeremy Flores (FRA) – 19.945

13: Griffin Colapinto (EUA) – 18.700

14: Michael Rodrigues (BRA) – 18.605

15: Adrian Buchan (AUS) – 18.580

16: Kanoa Igarashi (JPN) – 18.445

17: Ezekiel Lau (HAV) – 17.455

18: Conner Coffin (EUA) – 17.360

19: Adriano de Souza (BRA) – 16.515

20: Frederico Morais (PRT) – 15.525

21: Sebastian Zietz (HAV) – 13.035

21: Yago Dora (BRA) – 13.035

——–outros brasileiros:

23: Tomas Hermes (BRA) – 12.340 pontos

28: Jessé Mendes (BRA) – 9.955

31: Ian Gouveia (BRA) – 7.465

35: Wiggolly Dantas (BRA) – 3.750

36: Miguel Pupo (BRA) – 3.345

37: Caio Ibelli (BRA) – 2.940

39: Alejo Muniz (BRA) – 1.665

43: Deivid Silva (BRA) – 420

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