SURF: A BUSCA

foto Paty Stein

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Foto Divulgação

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Dias atrás assisti ao filme Searching for Sugar Man, um documentário que mostrava a busca pela história do cantor folk norte americano Sixto Rodríguez. Uma excelente produção que inicia na África do Sul do Apertheid e que termina nos anos dois mil, atravessando a história e o tempo sem deixar-se morrer. Toda obra de arte é, como esta, atemporal e imortal.

 

Eis que a busca se inicia por dois fãs atrás de informações a respeito de Rodríguez e da real causa de sua morte. Então o inesperado acontece, e a trama toma contornos surreais para uma história verdadeira. Já não bastasse todo seu contexto pessoal e da forma que a sua música foi importante para as lutas contra o Apherteid influenciando gerações, a própria historia do artista é um paradoxo com nossas vidas, e a busca por aquilo que está dentro de si.

 

Reações a parte, esta vontade superior em conhecer-se e explorar ao máximo seu potencial é o que move o atleta. O surfista de alto potencial, busca em seus treinamentos diários, na alimentação balanceada, na concentração. Resgata forças adormecidas, explora áreas do cérebro intocáveis e transforma tudo em resultado. A busca pela glória ou pela vitória é uma disputa interna atrás da superação. Conhecer-se, para vencer.

 

Mais do que isso, a busca pelo homem que influenciou uma geração é a busca por uma identidade construída através do tempo e dos mitos que se revelam em uma surpreendente caravana de ações que nos refletem ao comportamento da sociedade sul-africana.

 

A própria superação do diretor do filme, que sem dinheiro finaliza as filmagens com seu celular é a mostra real de que a vida é feita através do conhecimento pessoal e determinação. Não devemos apenas viver por viver.

 

Nossas ações, mesmo pequenas, e inimagináveis no contexto coletivo, trazem uma grande carga de influência a aqueles que estão a nossa volta. Por isso, a busca constante em conhecer-se e adaptar-se às mudanças que a vida nos traz são importantes. É como aquele surfe no mar agitado, você sabe o potencial das ondas, precisa somente conseguir adaptar-se ao pico para surfar a onda perfeita.  

 

Buscamos todos os dias o equilíbrio. Muitas vezes entramos na água para acalmar a ansiedade, para melhorar as manobras, para desestressar. Mas entramos principalmente em sintonia com a natureza, buscamos nosso contato espiritual com o equilíbrio do mundo. Lavar a alma com água salgada. E alimentar-se com música.  

 

Devemos nos concentrar em nossas ações, antes de perdermos tempo criticando e julgando o próximo. A probabilidade de algo dar certo é muito maior quando acreditamos em nós mesmos. Refletir sobre os nossos atos é a metáfora da existência.

 

Quanto de você está sendo dado ao mundo? Quanto de você, influenciado pelo surfe, tem trazido alguma melhoria para a nossa estada aqui na terra?

 

Antes remar na onda, de ver o sol nascer sentado na prancha, de molhar a cabeça na água gelada, lembre-se que o que nos move é essa constante, a busca eterna daquilo que está dentro de nós.

 

O filme venceu o Oscar em 2012. Rodriguéz além de não ir a cerimônia estava dormindo. Sua música serviu de inspiração para mudar uma sociedade, já bastava. A busca estava completa.

 

Moacir Kienast

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