RELAXA, BROTHER!

Foto reprodução da Internet

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Fiquei um tempo sem surfar, sem pegar uma onda, sem ter aquela sensação boa de estar no mar boiando, subindo e descendo de forma suave junto com a ondulação, ter momentos de não pensar em nada e de repente você pisca e lá vem a onda! Rema, rema, dropa, cai, levanta, rema de novo, espera, dropa, surfa….cara isso é muito bom! Sem contar os dias que temos surpresas como o dia em que um boto subiu para respirar do meu lado e por algum motivo, que até hoje eu não sei, ele ficou nadando ao meu redor e me acompanhando nas minhas buscas pela melhor onda. Ou mesmo aquele dia em que eu estava no meio da galera e do nada escuto: “Óh, Marcelo?”. Era um amigão meu da época da escola, o Eduardo mais conhecido como “Texera”, que eu não o via a décadas e ainda mais onde eu estava pois nunca imaginei que ele surfava e também surfaria naquela praia. Momentos únicos que fazem do surf algo que vai além da prática do esporte.

E pensando nisso, logo me veio à mente como o surf evoluiu e de forma positiva para o mercado profissional, mas de certa forma perdeu um pouco da sua essência. A galera, hoje, sente a necessidade de entrar no mar e fazer bonito, mandar manobras radicais, brigar pela onda, xingar, berrar “é minha”, ficar puto porque não entrou na onda, não se contentar com certas ondulações porque acha que seu surf já está em outro nível e não vai se divertir em tais condições inferiores… a essência do surf não é essa.

 

QUAL É A ESSÊNCIA, ENTÃO?

É você deslizar na onda, curtir aquele momento de sintonia com a natureza, perceber onde você está e como tudo aquilo é fantástico. É não ver os outros surfistas como concorrentes, mas como mais um parceiro, mais um “brother”, mais um felizardo! Vejo alguns caras que entram com o pescoço esticado, olhos esbugalhados procurando a onda, como se aquela fosse a única de sua vida e mal consegue ver quem está do seu lado, não consegue curtir aquele momento da espera porque não para de remar buscando a melhor posição para o drope e fica pra lá e pra cá o tempo todo….porra bixo, relaxa!

 

SURFISTA DE MEIO METRO, SIM!

Outro dia escutei de um amigo meu, o Paulo, quando cheguei em sua casa para uma visita: “Chegou o surfista do meio metro de onda!”. Somos amigos e a tiração de sarro é normal! Mas a resposta veio e não de mim mas de um outro amigo nosso que estava lá: “É mas quando você está emburrado, chorando em casa porque “não tem onda” ele está lá dentro se divertindo”. Fantástico! E vejam só, esse meu amigo que deu essa resposta pega altas ondas, ele quebra mesmo! Pode ser meio metro ou 3 metros ele manda muito bem. Mas não importa a condição do tamanho de onda, ele está lá, curtindo! Foi um tapa na cara do Paulo. E por causa disso, hoje o Paulo é o bebê chorão da galera!

Duvido que ele, o Paulo, não gostaria de surfar esse meio metro:

SURFISTA DE VERDADE

O que faz o surf ser esse esporte atraente e admirado por quase 100% das pessoas nesse mundo, mesmo não praticando é a sua essência, é essa “poesia” que escrevi acima no primeiro parágrafo. Hoje em dia falar que é surfista chega a ser um diferencial de tão positivo que é esse esporte para a nossa vida pessoal e profissional. Não é a toa que o surf está inserido em muitas, e é muitas mesmo, propagandas de grandes marcas que não possuem nenhum vínculo com o surf diretamente. É essa essência que as pessoas de fora enxergam E que nós surfistas estamos nos cegando, pela necessidade do high performance… mas eu não estou no mar para competir. A competição já me cansa fora do mar, o stress já está no nosso dia a dia… pra que levar isso para o mar? Eu sou do tipo que fujo do aglomero no mar. Quero poder bater um papo, conquistar novos amigos sem interesses, apenas por sermos do mesmo estilo de vida, curtir o mar, ter momentos de vinculo perceptíveis com a natureza. E se não consegui pegar aquela onda, beleza, daqui a pouco vem outra, surfo a onda, vou junto com ela e não contra ela, quero brincar, quero curtir, quero ser essencialmente surfista.

Que fique claro que não sou contra os que tem fome de onda ao ponto de ficar cego para o que está ao seu redor. Cada um é cada um e se isso lhe faz bem e não prejudica os outros, está tudo certo. Mas que estão perdendo o “algo a mais” que todo surfista tem, ah estão sim.

Por isso, faço um apelo, aos que estão começando agora e aos que já surfam. Por mais cativante e empolgante seja dropar uma onda e dar aéreos, rasgadas dignas de capa de revista, batidas alucinantes… não é errado e nem humilhante surfar na espuma ou o famoso “retoside”, o importante é você ser surfista na essência, se divertir. Não esqueça do porque você começou a surfar, o porque você ouviu aquela voz na sua cabeça para comprar uma prancha, do porque o frio na barriga quando você está chegando na praia… o surf, na sua essência, é muito mais que dropar uma onda, dar aéreos e batidas. É estar em um outro momento de vínculo com o que realmente somos. E o que somos? Seres humanos que fazem parte de um planeta, e não donos do planeta. Somos essencialmente animais, somos essencialmente surfistas. Quer melhor que isso? Então relaxa!

 

Esse texto, eu ofereço para pessoas que me inspiraram a escrevê-lo por praticarem o surf em sua essência: Maurício Parreira, Flávio Costa (Artesão), Jonathan Cadore e Ana Paula Franke.


Gostou? Não gostou? O que você pensa disso tudo?
Participe deixando sua opinião aqui.



Grande abraço, galera do bem!

Marcelo Kobe

 

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15 comentários

  1. Fabio
    Autor

    Baita texto passa tudo o que eu penso sobre o surfe.É o que eu tento passar para meus brother aqui em Natal.. Surf é isso.. Show. Parabéns pegou na veia mesmo Marcelo.

    • Fala Fabio!
      Obrigado pela mensagem e que bom que você também tem esse sentimento. Porque no fim é o que vale e o que nos faz melhor e mais feliz. O surf é mágico!
      Grande abraço e o dia que vier para SC, já tens lugar pra ficar!!!
      Abração!

  2. Rodrigo

    Boa Marcelão! Esse é o espírito!
    E digo mais, eu que já passei dos 40 não tenho mais saco pra ficar aguentando gritaria, pressãozinha babaca, cara feia… Dá vontade de perguntar pro cara: tu rema mais forte que eu, surfa mais?! Parabéns! Agora não enche o saco e deixa eu curtir minha vibe de boa! Parabéns pelo texto, pegou na veia mesmo!

  3. Marcelinho Itajuba

    É bem por aí Marcelo, como eu falo pra galera que quer fazer mais baterias que a Moura: Surf é contemplação não competição!!!!

    • Marcelinho, meu xará!
      É muito bom quando vemos pessoas como nós levando o surf como diversão de fato. Sinto falta das marcas que fazem publicidade, evidenciar isso, o que seria fantástico e com certeza gera lucro da mesma forma que fazer publicidade de high performance.
      Grande abraço, brother!

  4. Adriana
    Autor

    O mar não tem dono. Localismo é coisa de Babaca. Belo texto Marcelo.. Surf é essa vibe ai.. Chega de bababa na água. Aqui no Rio tem um monte de malas também.. Abraços

    • Oi Adriana!!!
      Obrigado por ler meu texto. Mas quem sai perdendo são eles. Nós temos que ficar com nossa mente tranquila e leve pois nós sim, nos divertimos 100% no surf.
      Grande abraço pra ti!

  5. Jefferson

    Que baita texto, é exatamente isso o sentimento por traz do surf, é uso compartilhado de nosso bem mais precioso, “a VIDA”.

    • Jefferson, essa poesia, que é o surf em sua essência, é difícil de ser enxergada e sentida. Que bom que você também consegue ver esse lado do surf.
      Valeu meu brother e obrigado pela mensagem.
      Grande abraço!!!

    • Marcelo Kobe

      Wesley, obrigado pela sua opinião. É muito bom termos olhares diferentes das coisas. É assim que o mundo evolui, pelo menos nos locais onde há inteligência dissertativa, emocional, com educação e respeito. Pena que não conseguiu exercer sua habilidade de um bom surfista que você deve ser para me julgar dessa forma, para colocar seus argumentos. Seria muito bom saber sua opinião com mais detalhe. Se conseguir, agradeço.
      Grande abraço
      Marcelo Kobe (Prego sim, e dai?)

  6. Diego Baader

    Também fujo das aglomerações, prefiro ficar no meu canto, esperando a valinha.
    O sol nasce pra todos.

    Baita texto!

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