Quando o tempo esquenta

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Norte-americano ConnerCoffin surfando um tubão nas águas quente de Fiji. Foto – Ed Sloane

 

Quando o tempo, dá vontade de abrir mais as janelas de casa. De tomar café na varanda, de ver o sol nascer. De acordar ainda mais cedo, de sentir os cheiros na rua, de passear.

 

Quando o tempo esquenta, a gente vive mais ao ar livre, o dia tem mais sentido que a noite, o corpo aquece o coração. O sorriso fica mais largo, a vida fica mais complacente, as pessoas ficam mais ativas.

 

Quando o tempo esquenta é que sentimos mais ainda aquela sensação de mudança, a gente se prepara para novos ciclos, vive ainda mais nossa história.

 

Vivendo aqui no litoral, as mudanças seguem o fluxo intenso da agitação marítima. O tempo esquenta também para aqueles atletas de verão, que buscam melhorar seu desempenho e desfilar nas passarelas praianas. Respiramos saúde e estamos atrás de boa forma.

 

Queremos também mais oportunidades, mais lazer, mais passeios e mais surfe. Seguimos uma temporada de quase dois meses com ondulações contínuas, para depois sentir o marasmo dos flats de verão recheados de surfistas que conseguem somente surfar durante o parco tempo que se tem entre o pôr do sol das flores da primavera e o suor intenso do agitado carnaval.

 

Quando o tempo esquenta, ficamos lado a lado com a maioria da população de nossa região sul, que se concentra em uma tímida área onde pés são queimados pelas altas temperaturas e as aguas são um atrativo com sua brisa de fim de tarde.

 

O oceano nos brinda, todas as manhãs, com um belo espetáculo trazendo o sol como protagonista. Nos ilustra essa bela paisagem a força de vontade de estar na água nas primeiras horas do dia, quando o vento ainda sopra tentando energizar um pouco mais essa linda terra que nasci e escolhi viver.

 

Essa passagem é muito mais confortante quando me tenho neste quadro pintado onde consigo absorver o melhor e propor aquilo que melhor faço: interagir, integrar.

 

Buscar essa essência diária em um cotidiano tão agitado é levar consigo aquele sentimento agudo que só sentimos quando a gente dropa uma onda que parecia impossível de ser surfada. Naquele breve lapso de tempo somos levados a tomar decisões tão importantes que podem nos ter aos extremos. Uma linha tênue entre aceitar os riscos e sobreviver aproveitando as manobras que a onda dá, ou cair e levar nas costas a dor de tomar a decisão errada. Hoje, eu sempre remo. Pois não quero me arrepender de tentar.

 

Quando o tempo esquenta, a gente sente ainda que tudo isso é apenas uma parte das escolhas que tivemos em nossas vidas.

 

Moacir Kienast     

 

 

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