Para de reclamá e vai surfá di zica!

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Sinta o prazer de pedalar e ir curtindo a natureza e os amigos por alguns minutos. Fotos Divulgação

 

 

Vai surfar de zica!

E de preferência, deixe o celular em casa.

Esse artigo é para aqueles que moram perto da praia, ou que tem a possibilidade de não necessitar de carro para o surfe. Ou para todos. Serve como uma reflexão.

Por quanto tempo nos desprendemos daquele momento sublime e nos conectamos ao que está tão distante? Por quanto estamos de encontro consigo mesmo? Nessa época de redes sociais e smartphones muitas vezes perdemos todo o aspecto importante que norteia o que está à nossa volta, e esse exercício é necessário.

O melhor GPS é nossa memória. Como vamos conhecer cada espaço de nossa cidade se vivemos olhando pra baixo? Se não paramos para falar com nossos vizinhos, observar aquela casa na outra rua, saber do cachorro latindo, o cheiro da maresia, o vento batendo….

Perdemos um pouco da noção do espaço local e do “ser local” para nos transformarmos em seres informativos. Não saímos mais de casa sem saber a previsão das ondas, o boletim da praia ou como está a formação. Tudo está muito mecânico.

Aqui em Itajaí a prefeitura fechou o acesso de carro às praias para construção de ciclovias e calçadas para pedestres. O carro perdeu espaço, terá apenas uma pista. O debate se acentuou pelo fato mas o fato é que estamos evoluindo. Nessa evolução posso dizer que na verdade estamos voltando  ao ciclo da modernidade.

Lembro muito dos momentos que vivia quando ia pra Atalaia pedalando e sabia de cada buraco nas ruas, dos pés de fruta que haviam no caminho, do vento que estava soprando quando fazia a curva da beira rio. Nosso preparo físico era diferente, nossa saúde era diferente, interagíamos com quem estava a nossa volta e incentivávamos o comércio local. Vivíamos no micro, atuando no macro.

Ah, Moa, mas o mundo mudou. Sim, mudou! Trocamos as ruas pelos carros, perdemos as ruas para os carros, perdemos o nosso encontro com o espaço alheio. Vamos de encontro diretamente com tudo aquilo que criticamos, trocamos o caminho das pedras pelo asfalto, o pé descalço pelo tênis, a rua pelo congestionamento. Passamos de coadjuvantes no ecossistema para destruidores de tal. Criamos leis para regular aquilo que desregulamos. Tomamos remédios para sanar a dor de nossos atos, e publicamos fotos com a velocidade de achar aquilo que não mais encontramos: nós mesmos.

Zica, magrela, bici, bike, bicicleta. Um objeto simbólico que reflete uma relação saudável do homem máquina com seu meio. Um símbolo da inteligência humana na revolução do século 20 e forte influência em nossa sociedade. Uma consequência da vida na praia. Um transporte saudável, um exercício prático. Um estilo de vida. Ou nada disso. Apenas, bicicleta. Ô abobado, para de reclamá e vai surfá di zica!

 

Moacir Kienast

 

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4 comentários

  1. Felipe Freitas Júnior
    Autor

    Vo de zica mermo nego. Tenho o prazer de poder dar aquela pedalada pra ir até a praia pra surfar.De sentir aquela natureza da brava… a mata, as aracuas… mas acho que sou um dos poucos que ainda faz isso… uma pena… muito bom o artigo, que incite mais pessoas a fazerem o mesmo, ainda mais com todas essas obras que facilitarao o acesso e uso da bicicleta.

  2. Artur D'Avila
    Autor

    Parabéns Moacir Kienast desde pequeno eu já sabia que ” Tu ” seria uma Pessoa do Bem.

  3. Bom…da última vez que fui surfar de ”zica”, ela foi roubada. Junto com a minha mochila e mais alguns pertences. Já faz alguns meses. Agora surfar só de carro com alarme, e seguro em dia. é pra acabar mesmo!

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