O sentimento da perda!

Eu fico com a pureza das respostas das crianças.... Foto Divulgação

Eu fico com a pureza das respostas das crianças…. Foto Divulgação

 

 

 

 

Um dos maiores problemas em nossa cultura ocidental é não saber lidar com o sentimento de perda. Viver como se fosse para sempre, sem preparar-se para o dia da passagem. Nossa, e de nossos próximos.

Uma mistura de impotência e ansiedade, um conflito interno entre o ser, o querer e o pensar. Mas o que realmente queremos desse mundo?

Ha algo mais substancial do que o intuito em aprender, em crescer, renovar o espirito? E cito isso no sentido de evoluir com nossas experiências, de testarmos todos os limites disponíveis. Ultrapassarmos barreiras e levarmos consigo mesmo conhecimento e razão em equilíbrio à emoção. Não adianta ter objetivos materiais superiores ou metas se não estamos completos no espirito. Sofrimento também é um sentimento.

A linha tênue entre o compromisso com a felicidade e a decepção da derrota é o que nos faz maiores. Se conseguirmos equilíbrio, seremos eternos.

Enquanto nos tornamos adultos ou mais experientes vamos dando importância cada vez mais às banalidades da vida urbana, enxergamos somente aquilo que está, na superfície, à nossa mostra. Esquecemos do tempo dedicado ao próximo, do ser coletivo, da importância que temos à aqueles que estão à nossa volta.

Escondemos sentimentos, nos fazemos de fortes, de alegres, sendo que a imposição da conquista e do crescimento material nada mais são do que barreiras que nos cercam e escondem verdadeiramente o nosso ser. Vivemos um baile de mascaras eternos, onde o julgamento social é determinado pela fuga do fascinante pierrot.

Qual o problema em nos sentirmos tristes? Decepcionados? Eufóricos? Enfim, estamos nesse mundo para experimentar e tentar achar o equilíbrio. Em sermos sinceros. Em não termos medo de dizer e ouvir a verdade. Somos sentimento.

Quantas tragédias poderíamos ter evitado desta maneira, quantas guerras seriam evitadas. A concepção material do ser é obter-se distante do mundo inanimado, e fazer-se forte o distancia dos questionamentos. Os castelos de areia sempre se dissolvem na mare cheia.

Aquele amigo ao seu lado pode estar precisando mais de você do que você imagina. Ele esta ali, berrando silenciosamente aos seus ouvidos, e você não prestou atenção. O sistema é cruel. Prestar atenção é necessário. Sua família é seu alicerce, seus amigos são seu suporte. O mundo muda a partir de cada pequena ação nossa, e o destino de todos está inteiramente ligado.

 

 

Nosso campeão Mundial Gabriel Medina passeando num tubão em Teahupoo (S. Robertson / WSL)

Nosso campeão Mundial Gabriel Medina passeando num tubão em Teahupoo (S. Robertson / WSL)

 

 

 

Já parou pra pensar porque você surfa? Qual o motivo de descer a onda? Que sensação pode ser expressa naquele breve segundo dentro do tubo ou o desespero do caldo interminável?

Portanto, viva! Aprenda, acerte, erre, fique bravo, triste. Curta cada momento dos seus sentimentos e compartilhe suas experiências. Mas, antes de tudo, seja sincero. Saiba ter coragem para dizer aquilo que você precisa dizer. Escute aquilo que precisas ouvir.

Diga a sua família que a ama, não se feche para um carinho, um abraço. Saia de casa todo dia com o coração abastecido e a alma lavada. Dispa-se da sensação superficial que a rotina impõe, e faça valer o bom convívio entre as diferenças. Esteja preparado para dar um abraço.

Renato Russo dizia que é estranho, os bons morrem jovens. Talvez porque os bons ouviram mais do que falaram, não tiveram medo de aceitar o que são.

Eu, vou além disso, eu fico com a pureza da resposta das crianças.

 

Moacir Veiga Kienast

 

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