Nas ondas do rádio

Cristhyan Ferro Corrêa e Moacir Moacir Kienast. O alcance das ondas do rádio é ainda é impressionante Foto Divulgação

Cristhyan Ferro Corrêa e Moacir Moacir Kienast. O alcance das ondas do rádio é ainda é impressionante Foto Divulgação

 

 

 

Desde criança, não imaginava que minha preferência pela comunicação seria determinante na formação de meu caráter e peronalidade. Talvez pela hiperatividade, talvez pela vontade de dividir, ou ainda pelo senso de injustiça que assolava minha cabeça ao ver o mundo tomando forma pelos olhos.

 

O apetite voraz pela leitura, pela TV, pelo radio era uma ocupação normal que dividia entre as brincadeiras, o esporte, a alimentação, a fuga dos problemas familiares e as poucas horas de sono que me permitia ter.

 

Entre todos, as ondas sonoras sempre foram especiais. Os discos de vinil, as fitas cassete, o rádio. Uma mistura de informação e imaginação, um sentimento único sendo transmitido pelo sublime prazer de escutar uma melodia. Quantas noites passava dentro do quarto, ouvindo o radio de meu pai que pegava sem ele saber, ou das manhãs ouvindo as rádios AM que minha avó sintonizava as cinco da manhã, ainda deitada. Me fascinava com as nuances dos narradores, com os bordões dos jornalistas, com as vinhetas características. Uma identidade incomum, que levavam o ouvinte a imaginar e construir dentro do seu pensamento a personalidade e as formas daqueles seres que chegavam pelas frequências.

 

Na escola, me destacava na área de humanas, provavelmente pela facilidade em comunicar-me e pelo fascínio que a língua portuguesa trazia. Ter em casa uma mãe formada em letras e inserida no meio artístico e universitário da cidade também influenciaram a jornada que estava por vir.

 

O surfe entrou definitivamente em minha vida no segundo grau, como uma alternativa a lesões sérias causadas pela prática do basquete e futsal. Sem dinheiro para pagar sessões de fisioterapia, ia à praia caminhar na areia e nadar, esporte que já me acompanhava desde a infância. O bodyboarding era radical, e acessível. Surfava com equipamento emprestado dos amigos, ate conseguir o meu. Nessa época, Raposão e Maurio Borges eram referências distantes no rádio e que depois viraram próximos quando ainda era editor do site QuerSurfar.   

 

Em 2012 tive a oportunidade participar como convidado do extinto  programa Altas Ondas, na radio Univali FM. O que era para ser uma participação especial acabou formando uma parceria interessante. Cristhyan Ferro Correa, meu amigo da Atalaia comandava o programa que entre 2012 e 2013 teve minha participação definindo a trilha sonora e comentando as notícias de surfe. Além disso, recebíamos entrevistados de vários assuntos relacionados ao surfe. Eder Luciano e MV Bill foram alguns dos convidados.

 

O alcance das ondas do rádio é impressionante. O retorno do público que tínhamos com relação a nosso programa era imenso. Ainda mais que havia liberdade para tocar o programa do nosso jeito, a rádio não punha amarras. Ali pude, enfim, realizar o sonho de estar do outro lado da frequência.

 

Apesar de novas mídias surgirem, o rádio sobrevive ao tempo e à concorrência. Talvez seja porque ele é um canal direto com a informação e também com a necessidade da imaginação. Além do formato de frequências, hoje ele ressurge através de streaming pela internet e como canal em tvs por assinatura. Trabalha em conjunto com a TV fazendo transmissão simultânea dos programas e reproduz através de aplicativos sua programação ao vivo.

 

Mais do que um espaço para comunicar diretamente com nossa tribo, foi também um lugar para descoberta de novos caminhos que podíamos seguir. Infelizmente hoje o programa não mais existe, mas a lembrança de uma época tão intensa em minha vida vai ficar marcada para sempre. Quem sabe um dia eu volte a trabalhar com rádio,  e faça a imaginação de muitos ouvintes viajar pelas ondas do dial.
Moacir Kienast

 

 

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