É preciso muita atitude…

… para mudar uma sociedade

 

Atalaia decada de 70 - Foto Jaime Guimaraes

Atalaia decada de 70 – Foto Jaime Guimaraes

 

 

O surfe viveu às margens da sociedade, na contramão da evolução destruidora desenfreada que tomou conta de nossos rincões nas últimas décadas. Porém sempre foi um personagem ativo na construção de indivíduos e influência determinante onde prosperou.

 

Seja através do profissionalismo, da indústria, do negócio ou de sua essência, da alma surfista. O ser, o pensar, o fazer andaram juntos nos pés descalços e nos cabelos salgados.

 

Mais do que um esporte, o surfe se transformou em estilo de vida. Em maneira de pensar e agir. Formou cabeças que aos poucos plantaram a semente da liberdade e harmonia com a natureza como a melhor maneira de viver em sociedade.

 

Em Itajaí, não foi diferente. Gerações cresceram através das ondas, sejam elas da Atalaia ou da Brava. O localismo, tão propagado aos sete mares e temido aqui na terra amada, nada mais era do que uma característica dentre todas as outras que possuíam estes seres.

 

Surfista dos molhes - Foto cedida por Caca Ferreira

Surfista dos molhes – Foto cedida por Caca Ferreira

 

Mais importante que o localismo, a atitude desta turma que transformou o surfe em Itajaí é louvável pois inseriu a semente da preservação e do cuidado às praias e ao ambiente público. Se hoje as praias são preservadas e a verticalização passou a ser discutida após somente todos estes anos, ainda assim com uma grande resistência da sociedade, é devido à filosofia implantada através destes novos pensamentos.

 

Itajaí sempre cresceu na contramão de suas cidades vizinhas, tem um circuito artístico forte, uma bela colocação nos rankings dos níveis de qualidade de vida e parâmetros invejáveis na educação superior, formação de profissionais, indústria e geração de empregos.

 

A discussão de uma sociedade melhor passou também pela tribo do surfe, os molhes são um belo aparelho turístico, nossas águas possuem os níveis de balneabilidade controlados, o verde ainda predomina em nosso litoral, os peixes estão em abundância, nossas vias estão sendo organizadas para dar preferência às bicicletas, o esporte é uma realidade diária de todos que queiram praticar.

 

 

 

 

Deixando um pouco de lado os achismos e as conclusões precipitadas, o importante é que as regras de educação, respeito, gentileza e companheirismo são válidas dentro da água também. Basta saber seguir, que serás aceito em qualquer lugar. O comportamento no mar nada mais é do que o reflexo do nossos próprios atos fora dela. Aqui, devido às condições geográficas as regras sempre foram bem colocadas, e seguidas. Não há um indivíduo que tenha chegado neste pedaço de terra e mar que não tenha sido bem recebido, bem acolhido. Porém, não há espelho que pague um ideal para essa tribo.

 

Recorde batido em 2010 pela escolinha de surfe da atalaia com maior numero de deficientes visuais na onda - Foto Divulgação

Recorde batido em 2010 pela escolinha de surfe da atalaia com maior numero de deficientes visuais na onda – Foto Divulgação

 

É preciso muita atitude para mudar uma sociedade, ela marca nossas vidas para sempre, e influenciam todos que estão ao seu redor. O surfe muda vidas, cria propósitos, faz crescer espíritos.

 

Geralmente fazemos promessas em mudanças cíclicas, planejamentos de fim de ano, pedidos de aniversário, promessas de campanha. Mas nada disso é eficiente sem a mudança de hábito, de cultura. Não há governo que possa mudar uma sociedade sem ter rejeição, não há pessoa que pense diferente que não seja marginalizada, não há discussão sem haver contradição. O mais importante de tudo isso, é que a sociedade se move através do pensamento daqueles que a fazem, e mudar a curva do progresso é importante para fugir do mal comum.

 

 

Com isso, nada mais justo colocar aqueles que um dia sofreram por pensar fora da casinha no seu lugar merecido na história. E agradecer, por hoje, após três gerações, ver que tentar entender e escutar essas pessoas foi mais do que necessário. Foi uma ação vital para a nossa formação enquanto indivíduos. Agindo localmente, pensando globalmente.

 

Moacir Kienast

 

Segundo encontro Atalaia das antigas - Foto Divulgação

Segundo encontro Atalaia das antigas – Foto Divulgação

2º Encontro do Atalaia das antigas dezembro 2015 - Foto Divulgação

2º Encontro do Atalaia das antigas dezembro 2015 – Foto Divulgação

 

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