O queixo

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Dionísio Girardi foi uma das figuras mais populares da história do bairro Vila Nova. Cantador de bingo em festas de igrejas e escolas, com ele não tinha tempo ruim.
Brindava todo mundo com um rosário de piadas de primeira qualidade. Dequebra, Dionísio sabia como poucos dar uma resposta espirituosa.
Já amigo de Dionísio, bela noitinha de inverno estava eu em casa recapitulando algumas palavras em italiano. E, de repente, travei. Não lembrava como se diz queixo na língua dos meus avós.
Por mais que puxasse o cordão da memória a palavra não aflorava.
Fazer o quê? Lembrei-me então que naquela hora o Dionísio devia encontrar-se no bar Zero Hora. Toquei até lá e dito e feito. Dionísio estava entreverado numa boa conversa temperada com uns tragos de amarelinha.
Me aproximei do homem, expliquei-lhe o motivo que me fizera sair de casa. Dionísio abriu um sorriso mais largo que lâmina de patrola e provocou-me:
– Então, seu miolo mole, quer saber como é queixo em italiano?
– Isso mesmo, você lembra, meu bom velho?
– Claro que lembro. É barboz, seu burro, disparou o divertido contador de bingo.

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