Surfe e Política

Vivemos para sonhar, e transformar. Esse é um espaço democrático, mas que resiste às adversidades. Não há vento sul que o derrube.

 

O campo da palavra escrita sempre foi um refúgio ágil e complacente com aqueles que o buscam. Também um importante objeto de mudança.

 

O surfe, ultrapassando barreiras, desempenha um canal que fomenta a semente da mudança, a partir da sua introdução em nossa sociedade ocidental. O Duke não imaginava o que trazia.

 

A arte é a manifestação real do sentimento mais oculto, é a marca histórica de uma época sempre envolta em reações variadas.

 

A junção destas três vertentes pode ser um importante canal de formação de consciência e revolução.

 

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Abraço ao Canto do Morcego, na Brava de Itajaí. A Associação de surfe e de bodyboarding em conjunto com Unibrava, SocioAmbientar encabeçam uma ação contra a verticalização do local. Fotos de Gabriel Camillo

Passamos tempos difíceis em nosso país, de questionamentos e reflexão dos atos de uma sociedade antiquada e atrasada. Somos mesmo terceiro mundo. Somos colônia.

O descrédito da sociedade nas instituições e a falta de perspectivas em qualquer alternativa apresentada são a prova real de que o novo já nasceu velho. A rapidez da mudança que o mundo passa e a ansia lenta em acompanhar tais atores globais em nada empolgam nossa juventude. É um cenário tão sensível e preocupante, que a busca por antigas e ultrapassadas opções podem ser o real caminho do retrocesso.  

 

Mostramos o espírito de união nos momento mais críticos. Precisamos participar ativamente nessa era de mudanças. Chegou a nossa hora!

 

Vamos praticar as boas novas! Aliás, boas novas não, nosso modo de vida! Estabelecer um equilíbrio constante entre o homem e os recursos naturais, a coletividade e o respeito entre os seres dentro da água, a evolução do pensamento (pensar fora da casca) a visão global e a ação local.

 

Traçando um panorama podemos debater os problemas da fome enquanto buscamos a excelência alimentar, consumindo apenas o necessário. Buscar a saúde na busca por nosso desempenho físico, o respeito à natureza com o equilíbrio na expansão urbana, a economia através do crescimento da indústria e o fomento ao turismo, gerando empregos em um novo setor. Tratamos da problemática do jeitinho e da corrupção com os códigos de conduta moral no pico, fomentamos a educação através das escolinhas espalhados pelos rincões de nosso litoral, mantemos a segurança com o equilíbrio entre o homem e a natureza.

 

 

 

 

Comparações feitas para demonstrar que nós também fazemos parte desse país. Nós também o estamos ajudando a criar essa atmosfera que atinge nossa sociedade. Se não começarmos, envolvendo-nos cada vez mais em nosso meio, veremos mais uma vez o trem da história deixar de fora aqueles que um dia correram do dever moral de cada cidadão. Afinal, com o ainda crescente respeito que temos conseguido com os títulos mundiais de outrora de nada vão adiantar. Veremos passarelas de exclusão levando nossos atletas para o mar, água poluída, cada vez mais carros sendo roubados nos litorais. Indiretamente, estimularemos o abismo social que já existe e se mostra tão amplo.

 

Agir principalmente com ações, no campo onde você desempenha conhecimento. Seja com uma palavra escrita, com arte, com conversas, participação popular. O importante é agir!

 

“Há três tipos de gente: os que imaginam o que acontece, os que não sabem o que acontece e nós, que fizemos acontecer”- Gustavo Black Alien

 

Esse aqui é um espaço de surfe e resistência. Onde a contradição é tradição, e a esperança de dias melhores se transforma em ação estimulando a reação. Onde uma onda de dez pés e os problemas de nossa sociedade são encarados igualmente. Um agente em ação.   

 

Moacir Kienast

 

 

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